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quarta-feira, 22 de julho de 2026

uma menina que não quer saber de nada

Eu tava ali sendo uma meninaQue não quer saber de nadaCê tava ali, com seus dentes bonitosMe deixando enfeitiçada

(...)

Deitar no teu colchão completamente nuaPerder o sono num ato tão juvenil


Eu não te dei sossego, ficou tanto por dizer

A tempestade lá ao longeUm capricho meuAté me esqueço desse malQuando atento em tudo o que me mostrasE sem te dar respostasLogo fica tudo igual
(...)
Com o passar dos anosCruzamos oceanos e deixamos tudo igual

terça-feira, 21 de julho de 2026

sábado, 18 de julho de 2026

shore

 There's an old voice in my head

That's holding me back

Well, tell her that I miss our little talksSoon it will be over and buried with our pastWe used to play outside when we were youngAnd full of life and full of loveSome days I don't know if I am wrong or rightYour mind is playing tricks on you, my dear

quarta-feira, 15 de julho de 2026

o único lugar no mundo - talvez o erro tenha sido colocar aquele cadeado - que não vai dar pra tirar - em Paris

esse é o único lugar secreto-público do mundo onde essas palavras poderiam estar.

esse blog existe a 15 anos e a 15 anos ele é sobre você. eu sentiria vergonha de dizer que esbarrar com você ainda me bagunça, se eu não tivesse feito tanta terapia. bom, esse blog, e a minha terapia, existem a quase duas décadas e eles ainda são sobre você.

a gente se esbarrou. dessa vez (finalmente!) meu coração veio só até metade do caminho, parou antes de chegar na boca. minha arregalada de olhos foi o mais sincero que eu podia dizer. te olhei a noite inteira querendo saber se você cumpriria nosso ritual (aquele em que você sempre vai embora quando eu chego). você não cumpriu.

acho que, no fim, você nunca cumpriu. mas tão embora eu pudesse subir agora mesmo em um palanque e falar mal de você por umas 3h ininterruptas (meu deus eu só consigo lembrar daquele encontro de arquitetura, eu com o microfone, você com o microfone, o puxão de braço, o perdão que eu não te dei, você dizendo que eu era responsável por tudo de bom que você tinha se tornado e eu não queria ser responsável por nada, por nada, mas eu também era - eu poderia evaporar nessa lembrança), eu também ainda poderia chorar por isso a qualquer momento e eu ainda sentaria com você e tomaria uma cerveja se eu soubesse que você não ia ser completamente blasé - e eu sei que você seria (e se esse fosse um pacto silencioso que ninguém pudesse descobrir - caralho que vergonha daquele dia que eu bebi demais, te segui no twitter e mandei mensagem pra sua irmã mesmo tendo passado uns 6 anos te odiando pra caralho em voz alta - eu queria te xingar, sei lá, lembro do rubel cantando e de sentir que tudo era muito, era demais viver embriagada com aquela dor, de não entender por que eu aceitei o que eu aceitei, por que não podia ter sido diferente, por que eu não conseguia me perdoar, sobretudo por que eu não conseguia, exatamente, te odiar, embora eu odeie - eu nunca tive coragem de contar pra ninguém, nem na terapia, os amigos que estavam comigo foram gentis em fingir que nunca aconteceu e eu nunca mais bebi demais, sabia?) (meu deus ~and the honey moon, dessa acho que tenho vergonha até desse blog).

alguma notícia sobre você ainda chega, não importa quantas páginas e perfis eu bloqueie e a vida apenas siga maravilhosamente. pois é. não sei se você recebe também, já ouvi dizer que sim. eu ainda queria não acreditar que você pode ter se tornado um cara mais legal e eu ainda gostaria de impedir que qualquer menina se aproximasse de você e passasse pelo que eu passei MAS

eu sempre me incomodei quando você é associado a um cara perturbado, perdido, meio crazy eyes. talvez você possa até ter se tornado tudo isso, mas pensar em você assim no passado é anular a minha própria percepção do mundo, a minha própria sanidade, os meus próprios sentimentos. cê era um menino lindo do interior completamente louco por mim, hoje eu tenho coragem de ver as fotos - dá pra ver os sorrisos sinceros e também a tristeza tomando conta do meu olho junto com o tempo. ainda bem que eu consigo ver agora.

você não é um monstro, você é um cara normal que fez escolhas ruins pra caralho. você não é um monstro, você é um cara que escolheu sair por cima, e foi por cima de mim, e me tratou mal pra caralho e me fez implorar por qualquer migalha de amor próprio - que hoje eu vejo que você também não tinha e que demorou cerca de 14 anos para aparecer aqui. você não é um monstro, você é um cara que gostava das mesmas coisas que eu, tinha referências legais, que era pedante pra caramba, que me dava lacinhos e livros e unicórnios e turquesas, que me exibia orgulhoso de namorar a garota mais legal do mundo e que - eu realmente não duvido - me amou com corpo, alma, pau, tudo. eu tinha uma montanha de motivo para te amar, porra. eu também não tava doida não. esse papo de loucura monstruosa é aliviar demais pro seu lado. e é também dizer que todo aquele amor lindo, com queijo cortado em forma de coração, beijo em festa, muito tesão e cartinhas e esperas na rodoviária, era mentira. era nada, cara. a gente se amou pra caralho, curtiu pra caralho, foi em festa, viagem, família e até em convenção de filosofia e deu no que deu. você não é um monstro e esse é o máximo de perdão que eu posso te dar.

você com certeza é meu amor mais punk, copo de cachaça voando, mentira, paixão, doidera. apesar de tudo eu sinto falta de como eu me sentia a garota mais legal e descolada do mundo do seu lado. por mim, mesmo. eu gostava de ser a namorada do cara mais desejado, eu amava ser a única dos olhos do homem misterioso e sedutor que todo mundo queria alcançar. eu amei voltar pra sua vida depois de um ano e descobrir que todo mundo nela me conhecia através dos seus olhos. eu amava o casal super cool que todo mundo via na gente. de tudo, eu me sentia viva-livre nessa época (e sim, isso também tem a ver com ter 20 e poucos anos e uma montanha de possibilidades pela frente). the coolest girl on earth, dude.

é isso. não tenho conclusão nenhuma. talvez qualquer dia desses alguma cartomante me diga, mais uma vez, que nosso lance é karma. várias vidas arrastando essa incapacidade de amar até o fim. cansativo pra caralho, hein?

no dia que eu fiz aquela fogueira pra queimar tudo, alguma coisa em mim queimou e morreu também (e, adivinha? não foi tudo que dói). eu ainda lembro da sensação de morrer e cair e ficar caindo em um abismo sem qualquer chão de chegada, e da agonia dilacerante e tudo que estragou e tudo que eu perdi e de fazer muito frio e eu continuar caindo, caindo, ainda tô caindo, se eu pensar bem ainda é queda livre. ficaram umas playlists roubadas e umas imagens. ouro preto ainda é meu lugar preferido no mundo, eu ainda amo andar de noite no frio, comer comidas cobertas de açúcar colorido, batom vermelho, a foto mais bonita que eu fiz e e escrever sem letras maiúsculas. ainda quero ver o mundo inteiro, ler todos os livros e ser a mãe descolada da reunião de pais. você não estragou tudo mas eu, sinceramente, pensei em você todos os dias nos últimos 15 anos (com medo, com raiva, com saudosismo, sei lá). ter dito aquele não continua sendo a coisa mais corajosa que eu já fiz e o pior dia da minha vida. but life goes on, baby. 

ps. de todos os blogs linkados nesse aqui, o seu é o que foi atualizado pela última vez a mais tempo e, curiosamente, o único que ainda funciona.

ps2. música aleatória de uma das playlists aleatórias: 

And you're the only lover I had

Who ever slept with a knife (...)

Cause you're my Waterloo

Well I'll be your Gypsy Lane

I'm so glad we know just what to do

And exactly who's to blame - eu gosto de ter você tô blame