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sexta-feira, 17 de abril de 2015

você, que inventou de inventar tanta escuridão

Hoje eu entendi que eu sempre gostei de você porque você sempre me viu humana. Você, como poucos, não esperou que eu fosse forte demais, perfeita demais, completa demais. Hoje eu entendi o que sustentou tanta união no meio da instabilidade de tantos berros. Hoje eu achei uma razão que estava emaranhada em dúvidas, se sentindo sozinha. Hoje o dia doeu tanto, como se me preparasse para uma noite de dor tão maior.
Esse é um desses momentos que nada faz sentido e, cara, como não está fazendo. Isso que tá tentando falar por você, não te pertence e ainda assim te deixa refém. Essa voz disfarçada de melhor amiga te deu uma dúvida que não é sua e te faz tão covarde que eu sei que nem mesmo você acredita. Eu tenho certeza da minha descrença (e ao mesmo tempo, da minha fé em você).
As últimas 24h tem sido uma bagunça aqui dentro, mas os últimos três anos foram tão bonitos. Eu queria lembrar deles daquela forma brilhante que eles passaram, não da maneira cruel na qual eles tiveram fim. Eu queria lembrar e queria esquecer e queria que nada fosse assim e ainda bem que são. Eu estou confusa e agora, também, sozinha.
Confusa. Sozinha. Que merda. Talvez custe um pouco até que eu te perdoe por me deixar aqui, nesse momento que já e por si tão ruim. Confesso que vou sentir um tantinho de raiva, até que as coisas estejam de novo no lugar. Confesso que temo que esse momento não chegue.
Amanhã é um dia novo e talvez ele doa mais. Amanhã é um dia novo e talvez todas as (poucas) certezas que encontrei saiam correndo de mim. Amanhã é um novo dia e talvez ele seja florido. Eu só sei que amanhã é um novo dia e eu vou desejar estar e receber ele, com tudo que ele puder me dar. Amanhã.

Hoje tá muito frio. Mas teve sol o dia todo.


(e apesar de você, amanhã há de ser outro dia)


quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Parece que é sempre assim, a euforia, a tristeza, a euforia, a tristeza...
Eu tenho percebido, cada vez mais, que não me cabe aqui. Não me cabe nesse jogo de egos, não me cabe nesse mundo de fazer contatos e interesses. Toda vez que me vejo dentro desse redemoinho de "gente bem sucedida" eu acabo triste. Aí algum tempo depois eu vou perceber que esses sonhos todos não eram meus.
Essa vontade de ser um sucesso não é minha. Nem de parecer grande, nem de ganhar muito dinheiro, nem de pivô de um mercado que vai me colocar em pedestais. A vontade de estar em um pedestal, não, não é minha também.
Tenho achado difícil não me influenciar pelos desejos alheios. Sempre foi, mas agora, talvez pela consciência do problema, isso tem se tornado incisivo.
Se EU não quero PRA MIM certos triunfos, por que o desejo alheio consegue me atormentar?

Sinto falta dos livros que me agrandecem por dentro. Por fora. De cabeça pra baixo.
Sinto muitas faltas.
A começar pelas montanhas.


segunda-feira, 1 de setembro de 2014

se

Se alguém quisesse me ouvir todos os dias, todos os dias eu contaria dele. Eu contaria do amor que aconteceu de cara e ninguém acredita. Eu contaria da poesia escrita nos papeis guardados e das mãos dadas no escuro. Eu contaria do meu mundo que ele revirou umas 50 vezes. Eu contaria da pessoa que ele me ensina a ser.

Se alguém quiser ouvir meus sonhos eu conto que todas as noites eu sonho acordada. Mesmo se o corpo tiver quase partindo pra outra dimensão, mesmo se a cabeça já tiver lá. Nesse sonho o cenário é sempre o mesmo: eu, ele, umas palavras bonitas e um vazinho de flor na janela. Ah, e esse amor todo também.

Se alguém me perguntar de dúvida eu diria que ela sempre nadou em uma certeza absurda. Tão absurda que nem a gente acreditou. Tão absurda que ela precisou gritar. Tão absurda que ela só se fez entender no silêncio.

Se alguém olhasse meus cadernos acharia mil cartas de amor. Entre todos os registros solitários ou compartilhados, sempre acharia um tracinho dele. Porque se alguém me olhasse no mais fundo de mim, acharia ele também.

Se alguém alguém me perguntar se o mar existe, afirmo: existe. Mas por ele e por nós vale engolir cada gotinha do oceano. Por ele, por mim, por aquilo tudo que as vezes faz parecer que o mar nem tá lá.

Se alguém perguntar, sim:
Acredito. Fui. Fico. Escolhi. Estou. Quero. Espero. Tenho. Decidi. Aconteceu. Amo. Sonho. Faço. SIM.

Se você perguntar, e eu sei que nem perguntou, avisa pra ele que ainda bem que ele me achou. Eu tava esperando a vida inteira.







domingo, 31 de agosto de 2014

coisas bonitas

Tenho me preenchido com coisas bonitas nos últimos tempos. Parece que você olha e escolhe uma coisa bonita e todas as demais surgem por perto, se atraem, dão as mãos. É um blog, uma tarde pra desenhar no parque, uma foto bonita, um cheiro. Um tanto de lembranças tão lindas.

Acabo de ler em um blog (Notas Sobre Uma Escolha, uma delicadeza sem fim) sobre a escolha da leveza. E por aqui tem sido assim, escolhendo ser serena e atraindo um bando de passarinhos pro entorno.

Hoje no meio da beleza me vieram mil alertas de medo. Uma reunião, um possível atentado terrorista. Medo. Mesmo que não física, a bomba psicológica já explodiu tudo por aqui. Medo.

Mas aí li também que o horizonte é inalcansável e isso tem motivo também: a caminhada.  Se é longa e desejada, que percorramos cheirando flores no caminho!

sábado, 16 de agosto de 2014

Carta ao pai

Um título inspirado por Kafka, um post pelo Rotaroots.


Disseram outro dia que cê é tipo o Mestre dos Magos, pai. E eu concordei mesmo sem saber bem quem é o Mestre dos Magos (sinto que essa frase é uma traição a minha geração). Eu não sei se você sabe dessa coisa toda tão grande que te envolve. Essa coisa que te pertence, essa coisa que te forma. Essa coisa que é você, pai. Você tem uma força tão grande aí por dentro e ela atinge, sabia? Ela atinge um tanto de gente, porque você na sua quietude, na sua simplicidade, percebe as sutilezas que a gente nem pensa em notar. Você percebe e expõe essas coisas todas, meio que na hora certa, meio que de supetão. Mas cê guarda e leva um respeito pelas situações, pai, que ninguém faz. 
Pai, ainda bem que você sempre me mostrou que homem chora de tristeza, alegria, amor e com fim de novela. Ainda bem que você ama um monte de gente, de um jeito quase infantil, independente de onde venha essa gente. Ainda bem que você me ensinou respeito, me tira a arrogância e olha pra mim com os olhos mais apaixonados do mundo. Pai, ainda bem que você me dá a mão.

A palavra pra você, pai, é delicadeza.




(E obrigada por brincar de boneca mesmo quando você queria um menino pra jogar bola. E obrigada por ser o tio mais legal para os meus amigos. E obrigada por aquele abraço, aquela sexta-feira. E obrigada pelos olhos. E obrigada por cuidar da minha mãe. E obrigada pelas músicas. E obrigada, obrigada, obrigada...)

quinta-feira, 31 de julho de 2014

precisão

Foi preciso muita coisa, mas nem tantas coisas assim.
Explico.
Foi preciso um tanto de dor, de por ques, de incompreensões. Foi preciso achar que ia morrer. Foi preciso morrer, de fato, de amor pra saber que o desejo era (e continuaria sendo) morrer de amor todos os dias por uma mesma causa (pessoa?).
Mas aí, depois disso, não foram precisas tantas coisas.
Depois de uma certeza foi preciso abraçar. Depois do abraço foi preciso sentir. Depois do sentimento foi preciso escolher.
Ainda bem que eu escolhi isso aqui. Viver esse momento meu mas trazer você comigo. Ainda bem que eu escolho você. Ainda bem que você continua me escolhendo.

Se eu amo você antes mesmo de te conhecer e continuo amando agora nessa imensidão azul, é por que nossas escolhas tem andando em consonância. Que bom né, amor? Que bom!

Se eu tivesse que te prometer alguma coisa, talvez eu me limitasse a um pedido:
que a gente continue se escolhendo.

(e que essa seja uma escolha sempre um pouco difícil, mas sempre muito da pele)

que seja sempre a pele.

a flor da.
a flor dá.

amo você, você é minha escolha.

(antes até do pikachu)

sábado, 11 de janeiro de 2014

me faltou humildade. te faltou empenho.

sinto sua falta. espero que vc sinta a minha.

tá.

tá doendo, viu?
tá doendo todo dia, quase toda hora. essa dor estranha que vem no meio de uma alegria e toma conta e preenche e torna. eu não quero me tornar essa dor, que está me tornando.
olha, eu tô vendo todo o meu eu errado e que foi muito chato. eu ainda tô vendo todo o você passivo e irresponsável. mas, olha, eu tô vendo um grandeza tão bonita e tão triste, naquilo que eu sempre soube grande e bonito. e triste.
eu queria falar com você agora. eu queria te ligar. eu queira te dizer:

ei, tá doendo, viu?
ei, eu amo você e nada tá fazendo sentido, viu?
ei, viu?
ei.


mas eu não saberia o que dizer depois disso. eu não ia saber dizer que sem você o mundo anda meio cinza e eu me prendi naquele treco da Marisa Monte que diz: Entre tanta gente chata sem nenhuma graça... Olha, tá tudo assim bem chato e sem nenhuma graça. Mas cê tá feliz, né? cê tá sendo feliz... eu não faço parte disso, nem posso atrapalhar isso, né? cê tá sendo feliz?

espero que sim
mas
que pena.
que dor.

porque cê não me levou hein?

sábado, 28 de dezembro de 2013

vai, mas vai depressa, 2013!

Eu tinha esse hábito de escrever no fim de cada ano um registro do mesmo. Mas 2013 ficou tão desinteressante que já nem sei.

Vendo daqui, dessa que sou agora, 2013 me parece um ano muito decisivo mas, também, um ano pra ficar pra trás. Foi um ano de muito estudo e de uma dedicação que eu já nem sabia que me pertencia, mas que rendeu (e muito). Foi ano de tentar tudo que eu achava que não ia mais conseguir e.. conseguir! 

 ( um beijo UFMG, iniciação científica, Ciências sem Fronteiras e estágio "lindo" que não durou um mês)

Foi o ano do melhor Carnaval da vida. Da loucura ouropretana e um beijo final na adolescencia. Uma despedida não só por, agora, viver uma vida de dois empregos e faculdade noturna, como por não mais me identificar com aquilo. E eu parei de me identificar com um monte de coisas que tinham moldado a vida nos últimos três anos, pra me descobrir desejando um monte de novas e grandes coisas. E eu parei de aceitar qualquer coisa que pudesse vir a me prender e decidi que eu podia, ia e era decidida demais pra não conseguir o que eu quisesse (e não conseguir manter minhas decisões). E eu parei de pensar em considerar o arrependimento. Eu parei.

2013 me fez mais chata, mas séria, mais fria, mais afastada, muito mais cética, mas, ainda assim (ou por tudo isso), me deixou a cabeça mais clara. Termino com a sensação de saber, finalmente, não apenas o que eu não quero, como o que eu quero também. Acho que virei adulta.

Agora, no fim, aprendi (e foi preciso apenas um tapa para isso) algo que poderia já ter aprendido a anos: não sofrer por estar sofrendo. Não chorar por estar chorando, apenas chorar. Que golpe, 2013. Ao menos o que levei, depois de alguns dias com a sensação de sonhos esmigalhados, é uma certeza grande do controle que eu consigo ter sobre minha vida (são escolhas, sempre escolhas) e não sobre aquilo que eu esperava que a vida fosse (e força pra desvencilhar da sedução do sonho que é, por vezes, irreal).

Ah é, aprendi a gritar menos, pra perder menos a razão. A julgar menos, pra entender mais o alheio. A perguntar mais: "mas cê tá feliz?". E a eliminar, da vida ou do feed do facebook, tudo que não condizia com o pensamento em vigência.

2013 levou todo meu equilibrio espiritual e energético conquistado em 2012, mas me trouxe um equilibrio racional (faz sentido, aqui na minha cabeça) do c*r*lh*.

Bendito seja esse ano difícil que tanto me fez refletir sobre mim mesma. Benditas sejam as reflexões que foram tão conclusivas. Benditas sejam as conquistas e, principalmente, bendito seja 2014, ano no qual desfrutarei de todas elas.

VEM 2014, QUE TE QUERO QUENTE!


"Que seja de mente aberta para novas ideias e braços abertos aos seus amores. Que o rosto não aguente os sorrisos e que os olhos vejam que o futuro, finalmente, chegou. Que se jogue de peito aberto naquilo que mais deseja, do jeito que mais deseja. Que sua primeira escolha de 2014 seja, simplesmente, uma escolha. E que seja sua. Um bom ano novo. "

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

noite de natal

Vim (me) escrever e me perdi antes de começar. O que é que eu tô fazendo aqui?
Pensei hoje, antes de dormir como medida desesperada para fugir da noite de Natal: tá foda sem você.
Eu ainda estou tentando entender o que é que me trouxe, mas prossigo.

Pensei em você e já não te associo a uma imagem. Eu não sei quem você é. O passado conhecido, o futuro desejado? E eu que bem sei qual é o desejo, já não sei quem é você, objeto.

Eu que te tive até ontem, agora te imagino outro. O meu futuro já não é seu, é daquele ali, em quem ando pensando. A pessoa em quem ando pensando ainda não existe pra mim, mas eu permaneço acreditando que se o desejo for muito grande, virará matéria.

Matéria de 30 anos de vivência e um monte de certezas na cabeça. Matéria que vem e cuida, mas vai e se afirma. Matéria que já conseguiu e deseja complementar. Matéria que chama de linda e faz planos. Matéria daquilo que completa sem anular e faz virar mulher.

Eu, que ainda não sei se você (matéria, objeto, desejo, corpo) existe, cessarei o pensamento (como medida desesperada pós noite de natal), mas insisto: tá foda sem você.

vem, cara.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

amor em caquinhos

Foi a quatros anos. Descobri a saudades, a dor e senti pela primeira vez de um monte de sentimentos que eu queria nunca sentir.
Desde então tem sido assim. Foi o luto, o desespero, a conformação.. e aí eu me perdi. Tatuei, gritei, chorei (e choro), ri. Eu quis colocar lá no topo de tudo o meu amor por você, achei que assim você fosse ouvir e achei que se você ouvisse, você voltaria. Eu achei que você ia voltar pra me tirar daqui. Você não voltou. E eu continuo aqui.
Se aprendi disso, a lição foi que nada tem fim. As coisas passam, mas não terminam. Você passou, a dor passou, mas nenhuma das duas coisas terminou em mim. Eu não quero que você termine e tendo isso claro, eu não mais acredito no que é finito.
Eu precisava entender o porque disso tudo, eu queria entender o tamanho da injustiça cometida. Mas eu ainda não entendi, tô aqui esperando a resposta. E a pergunta.

Eu vou lembrar de você toda vez que Marisa Monte cantar. E toda vez que eu juntar caquinhos coloridos desejando alguma beleza. Eu vou lembrar de você toda vez que comer bombom de morango, toda vez que der uma pincelada, toda vez que quiser uma almofada e um chão gelado pra me confortar. Vou lembrar, e lembro, de você todos os dias. Todos os dias eu te conto e espero que você ouça. Todos os dias.

Você vive em mim e é dor que guardo, pois é regada à lágrimas, saudosas mas felizes.

EU TE AMO!

domingo, 27 de maio de 2012

caramba, eu só queria que todo mundo fosse e ficasse feliz. mas eu nem sei o que é feliz!

o que se faz quando não se sabe o que fazer, mas principalmente não se quer saber e ainda assim deseja-se uma certeza?

muito paradoxo.

dificuldade de conectar as frases. e as coisas. e as pessoas.

POR QUE É QUE NÃO SE JUNTA TUDO NUMA COISA SÓ?

eu não sei o que eu quero. e tô me cobrando saber quem.

domingo, 6 de maio de 2012

quarta-feira, 2 de maio de 2012

eu pensei que não teria medo uma vez que a decisão está tomada. uma vez que o processo foi longo e machucou. eu tenho medo. e meu medo começa a bagunçar tudo aqui nessa cabeça já não muito organizada. profusão, redemoinho, velocidade.
eu estou me entregando a minha decisão sem saber pra onde ela vai me levar. mas ela vai me levar.

Perigoso é quando a gente sabe exatamente onde está e para onde está indo.
mas onde que esconde o medo de descobrir que essa não é a solução e muito menos esse é o problema?

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

o brilho eterno de uma mente sem lembrancas

um tanto de musica faz sentido. pra um momento, pra alguém. mas ai o alguém e o momento acabam e você fica sem saber o que fazer com a musica preferida. a musica que tocou no seu ipod 2o vezes seguidas por cerca de três semanas vira um problema por estar ligada a algo.
eu fiquei um tempao sem saber o que fazer com as musicas, que não sendo poucas, me lembram... coisas. continuei ouvindo as musicas tentando deixar os sentimentos passados passarem. e e bom ouvir musica de novo.

e eu não esqueci o que as musicas significam, todas as vezes que ouço, lembro. mas agora eu ouço. eu ouço. EU OUCO as musicas. deixa eu cantar erra pra você:
eu ouço.

eis o brilho eterno, de uma mente que, relutante, aquieta lembranças.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

o que eu queria dizer era isso:

“Muito rapidamente fomos muito felizes. Daquele tipo de felicidade que dá medo, porque anuncia seu fim enquanto ainda está se desenrolando”

- Livro de Joaquim - primeiro volume de Tempo Perdido. Por Laura Malin

E aí Stella disse pro Ted em algum episódio desses:
"eu te amei, eu te amei tanto que foi suficiente."
"e eu nunca deixei de amar ele."


mas isso não é o contrário de amor. teve amor, mas era demais. e voou.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

te doer me dói.

eu só queria que ele soubesse que eu nunca tive a intenção e me dói saber que eu provoco dor.
Sejamo felizes. Por favor.


"Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.

Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.

Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.

Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.

Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.

Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.

Desejo que você descubra ,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.

Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.

Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.

Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga "Isso é meu",
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.

Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.

Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar ".


Victor Hugo

sábado, 8 de outubro de 2011

Delicadezas: sobre o que faz a vida valer.


"Oi neném,
como nossas vidas andam muito cheia de coisas a fazer e não estamos tendo tempo direito nem que seja um milésimo de segundo pra colocar a conversa em dia,resolvi apelar pra mais arcaica forma de comunicação...não,não é o sinal de fumaça!A carta!obvio que vc já percebeu!
Eu sei que normalmente se escrevia a mão,mas é que ando muito sem tempo,ai como tinha que digitar um trabalho,resolvi digitar algo mais interessante!Soh pra garantir que vc não tenha esquecido disso,já que tem um tempo que não repito:EU TE AMO!posso ser uma amiga mega descuidada,posso sumir sem dar noticias,posso não te ligar pra saber como andam as coisas,mas vc esta sempre nos meus pensamentos,me perdoa tah!Sou meio estranha pra esse tipo de relacionamento a distancia mesmo,mas posso te assegurar que meu sentimento por vc continua intacto,como se continuasse a te ver todas as manhas e tardes,naquele Santo Agostinho!Neném sempre vou te admirar,sempre vou te achar uma cabeça fantástica,que pode mudar o mundo,igual a gente ficava mirabolando nas nossas conversas de bêbado!Você pode ser um pouco maluca,meio estressadinha,meio carga explosiva,mas todo mundo que te conheça um poquinho melhor sabe que tem um coração enorme embaixo desse mulherão lindo!Fico com uma saudade de vc,das nossas anologias baratas de alguns nãos atrás,das nossas esperanças ou desesperanças de que o mundo valha a pena e do nosso constante sofrimento e vontade de nos entupir de sorvete por causa de uns idiotas espalhados por ai!Vc acha que a gente cresceu neném?!As vezes eu acho que sim,acho que a gente aprende a medida que o tempo passa,mas quando fico aqui em casa atoa e pego pra olhar suas fotos lindas,mesmo com o passar do tempo consigo enxergar os mesmos olhos da menina com o livro do pequeno príncipe nas mãos em todas as suas fotos!Porque aquela menina pode ter crescido nem tanto em tamanho,kkkk,brincadeira,mas ter crescido como pessoa por influencia de tudo mesmo,mas uma das coisas que mais me admira em vc neném,por mais que o tempo passe e o mundo mostre algumas vezes que tudo se trata da arte da guerra,vc continua a fazer sua própria arte,continua a mostrar e espalhar mundo afora aquele olhar azul lindo de criança que encanta qualquer um!
Acho que nunca vou ter palavras pra descrever tudo que a senhorita significa pra mim,o tanto que aprendo com vc,o tanto que seus conselhos,seus chingamentos,nossas discussões a respeito do ser humano me fazem bem!Quero mesmo ser parecida com vc quando crescer!Vc sempre esteve do meu lado,sempre ouviu minhas lamentações,sempre ouviu minhas confusões sem me julgar,sempre chorou junto comigo,riu junto comigo,engordou junto comigo!vc não faz ideia de como agradeço aquelas pragas daqueles meninos por terem me dado a oportunidade de conhecer vc!Não importa a distancia,quanto tempo passe,vc sempre vai tah presente na minha vida e no meu coração!Achei um bilhete muito sábio seu outro dia dizia:”você se torna eternamente responsável por aquilo que cativas”,então cuida do que você cativou,não poupando mas evitando machucadosenormes.se cuida e cuida de quem vc gosta!Como que pode alguém tão pequeninha com uma cabeça e uma alma tão grandes???Vou cuidar sempre sim,de vc!sei que não estou sempre por perto,mas saiba que vc não precisa me ver todos os dias pra saber que estou sempre com vc!Conta pra tudo!
EU TE AMO ETERNAMENTE!"

"Lú,
demorei tanto a responder porque fiquei completamente sem palavras. Enrolei, enrolei e percebi que não havia maneira de pensar em algo a nível da resposta que sua ex-carta merecia, então o jeito era pegar e escrever do jeito que desse.
Você sabia que foi a primeira pessoa a me dizer que eu podia mudar o mundo? e eu acreditei, Lú. Eu acreditei e agora estou nessa briga comigo e com todo o meu entorno com consciência do tamanho da guerra. Eu lembro exatamente do dia, no estacionamento do colégio, quando você me disse que eu tinha alma poética. Essas palavras me marcaram e eu fui pra minha aula de desenho rodopiando.
É isso, você me faz piscar, com todo esse seu jeito de desacreditar no ser humano e concordar comigo em papos alterados pelo álcool e seu jeito de afirmar, de forma admirada, a minha insensatez me fazendo acreditar em alguma coisa bonita escondida em mim mesma.
Eu acho que a gente cresceu sim, mas eu queria mesmo era me manter pequeninha o quanto pudesse. Pretendo seguir vendo o mundo com olhos de criança e me contorcendo pra mostrar pras pessoas grandes essa visão mais pura.
Eu quero colocar cores no mundo, minha flor, e você coloca cores no meu.
Te amo muito e sempre, longe ou perto e até de cabeça pra baixo.
Carol"

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

sobre carpinejar


Fui pra palestra de Carpinejar com vontade de vomitar, saí vomitando. É que de repente alguém me traduziu o que eu estava sentindo e eu agora eu estou aqui, digerindo alguém que soube falar de mim, sem saber de mim, melhor que eu mesma, que também não sei.
Perguntei, tolamente, a ele: pessoas mudam? E ele respondeu tocando fundo, em uma ferida aberta. Fabrício me disse que pessoas mudam sim, cada vez que se relacionam com outras pessoas. Pessoas se adaptam, pessoas mudam por. Pessoas mudam. Já não fosse isso bastante conflitante com meus pensamentos pessimistas, ele emendou a resposta em um ponto ainda mais dolorido. Carpinejar me disse que gostava de quindins, mas um dia resolveu que comeria quindins em todos os dias seguintes e enjoou, agora detesta quindins. Mais precisamente, “o inferno é o exagero”, mais diretamente, não importa o quanto a gente sonhe e queira uma coisa, ou alguém, se essa coisa, ou alguém, vem em dose exagerada, enjoa, perde a graça e passa a trazer o oposto. Não importa o quão bom seja.
Foi o mesmo Carpinejar que me disse que “amor é delicadeza” e que quem inventava a grande maioria dos meus problemas era eu mesma (assim mesmo, da minha imaginação) que conseguiu de mim o que eu não pude berrar antes. Foi o mesmo cara que disse tudo isso pra mim (porque foi assim que eu tomei as coisas, para mim) que me fez pensar essa noite que TUDO que eu faço, sinto e recebo é ESCOLHA. E escolha MINHA.
A responsabilidade é minha. Quem tem que me aceitar sou eu mesma. O que falta mim em mim é nada mais que eu. EU DITO O QUE EU SINTO. Eu.
Essa noite eu não vou escovar os dentes. Quero dormir com o gosto do meu vômito interior.

segunda-feira, 25 de julho de 2011